Sentir de Corpo Inteiro
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A poesia não tem dono. Ser poeta não é uma condição mas um estado, e as palavras que se escrevem são os sentimentos que se pretendem libertar do corpo estático materno e correr na imaginação dos outros, como amantes que trocam de leito cerebral todos os dias. Christian de La Salette
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poeta naïf
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terça-feira, outubro 07, 2008
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Nasce uma flor em cada dia,
Diferente na fragrância, no perfume,
Aroma que tão breve me inebria,
Odor que me desperta o ciúme.
Abre-se completa a todo o vento,
Ondula sob as brisas mais ligeiras,
Insinua-se em suave movimento,
Roça-me com suas pétalas brejeiras.
Atrai-me ao seu pólen como insecto,
Afasto-me sem contudo me afastar,
Transforma-me num mero objecto,
Cada vez que a atrevo contemplar.
Desejo ser jarra bem garrida,
Poder em mim seu caule abraçar,
A luz que a abre para a vida,
A terra para seu corpo alimentar.
Nasce uma flor a cada hora,
Diferente na textura e na cor,
Criando uma tontura que devora,
Tudo o que rodopia em seu redor.
Pisam essa flor, os ignorantes,
Da dor que lhe provocam sem remorso,
Roubam-lhe os seus belos instantes,
Colhem o seu pólen sem esforço.
Roubam-me essa flor sem tal saberem,
Ignoram que ela é minha, sem o ser,
Tiram-ma sem sequer se aperceberem,
Que fico muito mais perto de morrer.
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poeta naïf
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sexta-feira, setembro 12, 2008
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Solta-te minh’alma presa
Junta o voo ao teu bando
Em busca da luz acesa
Que fraca vai apagando,
Essa luz que em cada dia
Se renova em esperança
Te provoca a agonia
Da vertigem dessa dança,
Desse imparável volteio
Que renasce a toda a hora,
Desse infindável receio
De sentir que vai embora,
A chama que te alumia
Esse trilho abandonado
Onde vagueias perdida
Sem chegar a qualquer lado,
Onde caminhas sem passos
Inquieta e naufragada,
Onde mergulhas abraços
No vazio do teu nada.
Voa em raiva renascida
Nessa busca desesperada,
Da terra do nunca perdida
Entre a noite e a madrugada,
Como Fénix renovada
Por uma morte queimada,
Fazendo das chamas vida
Nas cinzas reencontrada.
Dança livre na loucura
Do vazio que te tapa
Como vontade futura
Que de ti sempre se escapa,
Como desejo incoerente
Como anseio desesperado,
Dança minh’alma indigente,
Faz de conta que és de gente
E não deste pobre coitado…
Christian de La Salette
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quarta-feira, maio 28, 2008
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Mais um ano por ti passa,
Mais alguns estão p’ra vir,
Que venham cheios de graça,
Com coisas de fazer rir.
Que venham engalanados,
Festivos e coloridos,
Tragam fortunas no saco,
Sorte para os que te são queridos.
Mais um ano, mais um dia,
Mais horas, minutos, segundos,
Se pudesse eu te daria,
O melhor que há nos mundos,
Saúde, pão, diamantes,
Safiras, rubis, e ouro,
Esmeraldas e brilhantes,
O mais secreto tesouro,
O desejo mais guardado,
Beijo de amor alucinante,
Um colar feito de abraços,
Amar louco de amante.
Toda a minha amizade,
Se de mim tal dependesse;
Mais que tudo eu te daria
O meu amor de verdade
Se a mim tal pertencesse.
Mas nada mais posso dar,
Já não os tenho comigo,
A outra me fui entregar;
Quem dá não torna a tirar…
Dou-te este poema de amigo.
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quarta-feira, maio 21, 2008
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quarta-feira, maio 14, 2008
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quinta-feira, maio 01, 2008
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Julguei amansadas as correntes dos meus rios. Pensava-me livre... Não reparei nas cascatas que se precipitam em mim, esqueci-me que as barragens apenas contêm a água temporariamente; algum dia as comportas teriam de abrir e as águas calmas da albufeira hão-de precipitar-se em tropel e retomar o percurso interrompido. As minhas comportas abriram-se ... Regressam ao seu leito as cristalinas águas, cheias de transparências aparentes, prenhes de minúsculas vidas incolores, invisíveis aos teus olhos. Retomam-se os cursos inacabados...
Afinal a dor só adormece, nunca acaba, talvez até se esconda atrás das portas que vou fechando em mim, por detrás das janelas fechadas ao conhecimento. A dor transporta-se em rios, é uma das suas minúsculas vidas. E os rios das dores afinal nem são rios... São tempestades, ribombar de trovões inesperados que me assustam, relâmpagos que me atingem e queimam e ferem e assam por dentro; raios que me separam em múltiplas partes de mim mesmo, em pedaços que se despedaçam, que se juntam, fundem, se reconstroem e quebram novamente... Um contínuo reviver, um eterno perecer...
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segunda-feira, abril 21, 2008
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Vou escrever-te um poema merecido,
Que saiba descrever-te por inteiro,
Te permita ver o mundo colorido,
Onde vivas um sonho verdadeiro.
Um poema sem lugar p’ra duras guerras,
Crianças esfaimadas ou doentes,
Longe da miséria d’outras terras,
Perto dos desejos mais urgentes.
Um poema sem promessas não cumpridas,
Sem desejos esmagados ou esquecidos,
Cheio de esperança noutras vidas,
Longe de caminhos já perdidos.
Um poema de paletas p’ra pintar,
A cor da tua alma junto ao mar,
O sopro da ternura em teus cabelos,
Um beijo de carinho ao luar.
Poema com poder de alterar,
Tudo o que na vida te rodeia,
Mudar meu corpo para se tornar
No corpo de quem teu coração anseia.
Poder mudar o tempo p’ra ficar,
Quieto quando te tenho nos meus braços,
Parado embevecido a contemplar
Teu corpo lânguido envolto nos abraços.
Poema de te ter só para mim,
De corpo inteiro e em todo o pensamento,
Poder fazer contigo um jardim,
Recantos partilhados só com o vento.
Poema a sussurrar palavras mansas,
De te fazer com o hálito um colar,
Experimentar contigo novas danças,
Aprender as outras formas do amar.
Poema a desenhar futuros novos,
Entrelaçados num futuro teu,
Comungando contigo noite e dia,
Enxertar a tua vida no que é meu.
Christian de La Salette
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quinta-feira, abril 10, 2008
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quarta-feira, abril 09, 2008
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Já nasceste assim sereia,
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Mais segura deste mundo,
Ao passarem na tua ilhota,
O seu barco vai ao fundo.
Coitados dos navegantes,
Não sabem como escapar,
É poderosa a magia,
Que os leva a naufragar;
Mesmo que avisados,
Por outros que lá passaram,
Querem tentar ser primeiros,
Daqueles que te enganaram.
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Christian de La Salette
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quinta-feira, março 20, 2008
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Tornam-se pesarosos os meus dias com a tua ausência física. Apenas física porque a tua presença é constante, em todas as horas, em todas as minhas acções, em todos os meus pensamentos. Quanto mais tento apagar-te mais forte é a tua presença em mim. Tento...
Falham-me as ideias cada vez que as tento desviar de ti, ocupam os meus braços as lembranças do teu corpo neles, cada sombra do vento na minha vida é um reflexo da tua imagem, em cada ondular dos meus sonhos tu estás presente! Tornaste-te omnipresente em tudo o que me pertencia, em toda a minha intimidade, mesmo na que partilho com outra, com outros. Cada gesto teu é projectado no gesto dos que vivem comigo, cada relato do seu quotidiano é uma pergunta sem resposta sobre como é o teu dia, como foi, como correu. Interrogo-me se saboreias esta minha dependência, se te dá prazer saber que estou viciado em ti, que jamais conseguirei esquecer-te.
Se eu não te amasse tanto assim!...
Se eu não dependesse tanto das minhas recordações dos breves momentos que partilhámos...
Se eu não estivesse tão obcecado por ti!...
Lembras-me um barco que se afasta no mar da minha vida deixando-me isolado na ilha dos dias costumeiros, perdido todo o encanto do paraíso inicial. Levas contigo toda a minha remota possibilidade de salvação tornando-me definitivamente náufrago, à mercê da tua vontade de regressar um dia. Só que não regressarás e não há mais ninguém que saiba a rota que vai dar a esta ilha. Abandonaste-me porque te rejeitei. Rejeitei-te porque não me quiseste. É um jogo do querer e não querer que se torna no jogo diário que jogamos os dois.
Pensava que seria difícil dizer a quem amava que estava apaixonado por ti. Não sabia era que isso era o mais fácil! Difícil é ter de viver com quem amo e rejeitar quem desejo sabendo que quem amo não admite que te deseje. Difícil é desejar-te em quem amo sabendo que nunca estarás no lugar que eu quero; que serás sempre um vazio imaginado no meu leito, que eu estarei vazio em toda a minha entrega a quem amo. Eu já não me entrego. Apenas me abandono. Não é a minha vontade que se entrega, é o meu dever. Não é o meu desejo que se entrega, é a minha obrigação. Não é o meu corpo que se entrega mas sim o corpo que tu rejeitaste... Esvazio-me completamente nessas entregas. A minha alma viaja externamente, os meus olhos fecham-se embora continuem abertos em pensamentos. Sou mais infiel agora do que antes de lhe contar da tua existência, pois agora estás presente até nos gestos dela, nas atenções dela, no carinho dela, nas carícias dela, no conhecimento dela...
Respiro-te em cada movimento dos meus pulmões. Inalo-te em cada lufada de ar que entra em mim.
E para quê?...
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terça-feira, março 18, 2008
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sábado, março 15, 2008
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quarta-feira, março 12, 2008
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Nem sabes C. como te entendo na tua dor. Essa dor que nasce por vermos outra pessoa nos olhos de quem se ama, esse baque que nos atinge e nos derruba e a certeza de que ao abrirmos os braços encontraremos um vazio entre eles. Foi assim comigo durante anos cada vez que te olhava, cada vez que não me via nos teus olhos, cada vez que te negavas a olhar para mim, deitando-me apenas olhares fugazes para que eu não te fugisse. Aos poucos a memória do meu coração foi-se fechando, a dor foi-se tornando suportável, a razão foi ocupando o espaço vazio que tu deixavas nos meus dias. Novos dias vieram...
Novos amores?
Não sei se o passado se foi esquecendo de me atormentar no presente ou se o destino pretende pregar-me uma partida ainda mais cruel. Como viver entre quem se ama e quem nos quer? Sobretudo quando amamos quem não nos quer? Como rejeitar uma amizade porque nos magoa ou aceitar uma outra porque se acomoda no nosso coração, porque substitui a ausência do amor de outro?
Sei o que é viver no limbo dos sentimentos, no purgatório das emoções mais contraditórias. Amar e ser amado! Parece simples, não parece? Mas é um verbo que necessita ser conjugado pelas mesmas pessoas para se tornar simplificado. Amar quem não nos ama imuniza-nos à dor dos que sofrem o mesmo por nós. Ser amado por quem não queremos, martiriza-nos a consciência pela rejeição que não temos coragem de assumir. Prendemo-los a nós para nos aliviarem o sofrimento que sentimos pela ausência do amor de outro, aquele que queremos verdadeiramente, no momento. Só que essa prisão às vezes também nos prende a nós e só damos conta disso quando já é demasiado tarde, quando tivermos deixado escapar a oportunidade de conjugar o verbo na sua simplicidade: amar e ser amado!
Eu vi o baque nos teus olhos. Vi a tua dor no desprezo com que me falaste: “Há tempo suficiente!...” Tempo suficiente para sentir o turbilhão das emoções invadirem a nossa vontade, para o desespero tomar conta de nós, para afinal descobrir o que era óbvio e não permitimos que se soltasse de nós por condicionamentos morais. Contra os princípios...
Dói!...
É uma dor alucinante que embota os sentidos, a razão, o discernimento; que nos torna mortos-vivos no vaguear dos dias, ausentes da nossa realidade. Uma dor que nos comanda irracionalmente e nos faz desejar terminá-la, a qualquer preço, de qualquer forma... É uma dor que vai germinando e tornando-se cada vez mais forte, que nos domina ao ponto do inconcebível. É uma dor que nos dá vontade de inexistir...
Quem amo eu, afinal?
Quem me ama, afinal?
Rejeitar quem nos ama, amar quem nos rejeita! O destino é um diabrete travesso que vai brincando com os corações dos incautos que se atravessam nos seus domínios, indiferente às feridas que se abrem, às lágrimas que se perdem...
Christian de La Salette
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terça-feira, março 11, 2008
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Conforta-me essa ideia do eterno,
Essa certeza que se perde tempo além,
Essa amizade, sentimento puro e terno,
O carinho e ternura que ela tem.
Conforta-me a certeza que me dá,
Ter-te dessa forma em minha vida,
Saber que onde estás sempre estará,
Uma parte de mim que te é querida.
Alegra-me esse laço que nos une,
Enternece-me saber que tu esperas,
Poder com o meu amor tornar-te imune,
A todos os demónios e às loucas feras.
Mesmo não sendo mais que apenas homem,
Sem poderes para além dos naturais,
Orgulha-me a confiança que me entregas,
Envaidece-me servir-te como cais.
Sinto serenado o coração
Imaginando-me toda a vida a teu lado,
Permanecendo na tua recordação,
Sentir-me dessa forma sempre amado.
Confia-te pois a mim sem ter reservas,
Entrega-te sem estabelecer as condições,
As minhas vontades a ti te serão servas,
Entrego a ti as minhas ilusões.
Sei onde parar quando cansado,
Em ti há uma pousada retemperante,
Recobro as minhas forças a teu lado,
Refaço-me contigo num instante.
Nada é mais forte que um amigo,
Para empurrar a vida para a frente,
Se tu alguma vez não fores comigo,
Serei homem vazio, alma ausente.
Por isso aqui me tens ao teu dispor,
Serei como eunuco no teu harém,
Servo dedicado ao teu amor,
Unguento se outros te magoarem.
Estarei sempre aqui à tua espera,
Irei onde quiseres, qualquer lugar,
Tudo eu farei por ti e quem me dera,
Tudo te dar, amor, tudo te dar...
Christian de La Salette
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sábado, março 08, 2008
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quinta-feira, março 06, 2008
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quinta-feira, março 06, 2008
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Sei a cor da escuridão,
Sei-o pois nela vivo.
Sei o som da solidão,
Sei o que é andar perdido.
Quem não ouve as minhas preces,
Nem mesmo me mete nas suas,
Tem um coração de pedra,
Não chora nem um gemido.
É fera sem sentimentos,
Os outros são-lhe jumentos,
Bestas de carga falidas
Das suas dores mal paridas.
Quem não me limpa o suor,
Que dos olhos cai sem esforço,
É vil, cruel, é autora
Do lado negro das vidas.
Quem me fere com o desprezo
Que do seu antro desprende,
É víbora cheia de fel,
Madrasta de toda a serpente.
É Cassandra, é Pandora,
Dalila, Helena, Perséfone,
É maldição mitológica,
Vaga de dor imponente.
É bandido mascarado,
Roubando-me os sentimentos,
Hidra regenerada,
A Hera que lhe deu vida.
Quem não me quer não se importa,
Se vivo, se morto eu ando,
Quem me rejeita transporta
A arma do meu homicida.
Procura formas de morte
Das mais dolores, cruéis,
Tortura-me com mil chicotes,
Feitos com os seus anéis,
Bate-me sem piedade,
Não dá tréguas nem dá água,
Só procura variedade
Nas outras formas da mágoa.
Quem não me ama não chora
As lágrimas que tu me deitas,
Quem não me ama ignora
Do que essas lágrimas são feitas!
Christian de La Salette
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quarta-feira, março 05, 2008
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Chamei por ti ainda hoje e tu acorreste ao meu chamado; não sei porquê mas senti-me amado ainda que os teus lábios me negassem. Logo te foste, após tão breve encontro do qual ficou a nostalgia pairando no espaço. Rápida se instalou aquela dor estranha que regressa em cada partida tua. Sempre mais forte, cada vez mais forte. O tempo passa corre e voa quando estás ao pé de mim, o tempo esmaga e me atraiçoa quando sais de ao pé de mim. Senti-me angustiado com a tua ausência. Mandei-te uma mensagem, um grito de socorro, pedi que acalmasses os meus receios... Ficaste calada, nada me disseste...
Regressam-me os sombrios pensamentos, acabam com a fugaz tranquilidade ganha nesses breves momentos de encontros fortuitos à mesa de um café, nesses ténues momentos de cumplicidade.
Onde estás? Responde, por favor!
Ficas calada!...
Deixas assim que o desespero se apodere novamente de mim, que a tristeza ocupe o espaço que ocupava a alegria de ter estado contigo, que a desilusão tome o lugar da esperança. Nada me dizes, nada me consolas, abandonas-me tão depressa como fazes nas tuas presenças físicas nos meus dias. Visitas de médico... quase tão impessoais como elas.
Ficas calada...
Que podes dizer que não me magoe?!...
Tanta coisa... Podes dizer que é possível amar alguém ainda que não estejas apaixonada por essa pessoa, que te sentes bem com alguém só por estar e poder conversar e que isso talvez seja amor, que sentes a mesma falta de estar comigo como eu sinto falta de estar contigo. Podes dizer que mesmo que o teu corpo se entregue a outra pessoa haverá sempre um lugar no teu coração para mim e que isso talvez seja amor. Que quando não te falo e desapareço na tua vida por instantes, sentes um vazio a apoderar-se de ti e que isso talvez seja amor. Que mesmo que não queiras o meu corpo, sentes falta dos meus abraços e que isso talvez seja amor. Que choras quando me vês sofrer e que se não é pena, talvez isso seja amor. Um amor que eras capaz de aguentar todos os dias, calmo e sereno, que se dá num beijo terno, num abraço quente, num aconchego apertado. Um amor que te faz desejar ter uma pessoa perto de ti por saber que com ela não é preciso ter máscaras, mentir ou adaptar a verdade. Um amor que por não ser carnal se torna mais forte que a paixão, um amor sem desejo que admite o desejo do outro sem se sentir abusado.
Podias dizer tanta coisa...
Porém, ficas calada...
F.
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terça-feira, março 04, 2008
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terça-feira, março 04, 2008
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segunda-feira, março 03, 2008
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Vem esta noite a minha casa,
Vender-me as tuas ilusões,
Leva-me contigo enganada,
Não há esperança nem razões,
Para me deixares acorrentado,
Ao perfume que deixaste para trás,
Leva-me contigo encarcerado,
No teu olhar, nas tuas condições,
Sabes como é viver assim,
Chorar sem dor, rir só por sofrer,
Leva toda esta trapalhada
Em que se transformou o meu viver,
Deixa-me nalgum canto do olhar,
Quando o teu amor se distrair,
Olhando para quem não te quer dar,
O mundo inteiro que te quer sorrir.
Vem esta noite habitar,
Na neblina que me tapa o céu,
Traz-me a tua luz p’ra acreditar,
Que aquilo que há em ti é tudo meu.
Deixa-me habitar teu coração,
Entrar nos pensamentos que tu tens,
Abre-me as janelas da paixão,
Fingir que quando vais, afinal vens.
Mente-me de forma descarada,
Atira-me rosas doces de bordel,
Faz com que esta mascarada
Seja uma farsa, um livro de cordel,
Engana-me com falas de menina,
Que vai ao baile para ver dançar,
A música que baila sozinha,
No tua forma dança de andar.
Rodopia à minha volta incessante,
Faz-me entontecer só de te olhar,
Que o tempo é menino ignorante,
Dos anos que perdeste sem amar.
Deixa que uma gota de orvalho,
Pouse nas faces do teu pensamento,
Encontra então em mim um novo atalho,
Que te transporte na brisa do vento,
Nesse caminho a sós que partilhamos,
Quando um de nós o outro acompanha,
Separados quando juntos assim vamos,
Amando-nos sem ter a mesma sanha.
Vem esta noite a minha casa,
Deita-te comigo no meu leito,
Quero acordar de madrugada,
Ouvir o ritmo suave do teu peito.
Christian de La Salette
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domingo, março 02, 2008
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As lágrimas falam de sonhos maus,
Do papão que vive no meu peito,
Do meu horizonte sem as tuas naus,
Das dores que dormem no meu leito.
Grita-me a voz enrouquecida,
Chamando insistente a razão,
Manda que te faça enraivecida,
Para acabares com a minha ilusão.
Tenho de ser assim amargo e duro,
Despertar em ti negras vontades,
Erguer entre nós dois tamanho muro,
Que me devolva as minhas liberdades!
Choram as palavras que te escrevo,
Sofrem persistente desespero,
Obrigam-me a escrever-te o que devo,
Impedem-me de escrever-te o que quero.
Mandam-me fazer com que rejeites,
Tudo o que eu tenho p’ra te dar,
Jamais permitir que tu aceites,
Esta forma tão azeda de amar.
São tão cruéis e vis estas sentenças,
Que me forçam a negar tua amizade,
Opõem-se firmemente a que pertenças
À minha dolorosa e triste realidade.
Mas o queria a sério era ir,
Deixar-me levar pela insensatez,
Vaguear eternamente, daqui fugir,
Perder todos os sonhos duma vez.
O que queria mesmo era sair,
De dentro deste corpo assombrado,
Deixar este lugar, logo partir,
P’ra onde nunca fosse encontrado.
O que desejo mesmo de verdade,
Nem mesmo a ti o posso confessar,
É tão forte e secreta essa vontade,
Que só a mim me atrevo a contar.
E peno de mim mesmo arrependido,
Culpo-me das dores que te provoco,
Mas só assim é que pode ser vencido,
Este sentir em mim que me faz louco.
Culpo-me de não ser quem tu desejas,
Culpo-te de não me quereres soltar,
Acuso-me de fingir que tu me beijas,
Cada vez que me perco a sonhar.
Sinto-me de tal forma enfeitiçado,
Que chego a desejar a quem tu amas,
A mais cruel das dores, um mau-olhado,
Que te impeça de partilhar as suas camas.
Christian de La Salette
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poeta naïf
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domingo, março 02, 2008
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Cai o manto do tempo sobre o passado. Tapam-se as recordações com a coberta do esquecimento. Apagam-se da memória os sabores dos abraços e os tépidos beijos instalam-se ausentes na memória. Fica grávido de dor o meu ventre, gemem os sentidos mil lamentos e eu tento calá-los com o grito do silêncio, fingir que não ouço estas palavras que te escrevo. Talvez por isso as expulse de mim e as despeje neste papel virtual, para que elas possam ir de encontro aos teus olhos que serão porta de entrada em ti. As minhas palavras são tuas amantes, penetram a tua solidão, namoram contigo na ausência do meu corpo, exprimem a nudez do meu olhar, afagam o teu pensamento. Às vezes são cruéis, enchem-se de ciúmes, tornam-se possessivas e ferem-te. São palavras despeitadas, desamadas, nascidas no fel do sofrimento. São palavras angústia, prenúncio da nostalgia que sentem do tempo que ainda não veio, do futuro que virá sem ti, dessa realidade escolhida pela conveniência do que é correcto fazer. São palavras lágrimas que teimam em cair no que escrevo, que mancham e molham tudo o que escrevo, que se alastram em todas as minhas redacções.
Continuo a visitar-te no que escreves e o desânimo regressa aos meus dias quando não me vejo nas tuas palavras, quando insistes em lembrar-me que eu sou um erro do teu presente, um acontecimento que nunca devia ter existido. E sim, vi-te hoje aqui. Entrei e dei de caras com a tua presença. Saí de mansinho antes que me sentisses, como quem sai do quarto da pessoa amada enquanto ela dorme sossegada. Não conseguiria sair se me sentisses e me chamasses, mas o computador acusou-me, disse-te que aqui tinha estado. Temos de o desculpar; é uma máquina, não tem emoções, não sabe o quanto me custa ver-te e não te falar, ver-te e fugir para que não dês por mim, desviar-me do teu caminho quando o que queria era estar sempre contigo. Não sabe o quanto sofro cada vez que te rejeito, cada mensagem tua não respondida, cada pedaço do silêncio a que me votei. Tenho inveja dessa insensibilidade, dessa falta de emoções que possuem as máquinas. Se eu pudesse encontrar uma fórmula de me manter na tua vida sem sofrer...
O pior é que esta paixão destrói a nossa frágil amizade, não permite que ela sobreviva, não admite que ela possa existir. Obriga-nos a uma separação permanente, a uma ausência mútua na vida que cada um tem, na vida acomodada que não suporto abandonar. Talvez um dia recupere a razão. Talvez um dia tu te concretizes nos teus desejos e os teus sonhos, - os antigos -, se tornem realidade. Que quem amas se torne teu amante, livre das obrigações familiares que o prendem como as minhas me prendem a mim. Mereces ser feliz, mereces apaziguar esse mar revoltoso em que se tornou a tua vida nos braços de quem só tenha braços para ti, nos beijos de quem saiba saborear a felicidade de te ter.
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poeta naïf
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sexta-feira, fevereiro 29, 2008
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Consegues esquecer?
Avança o calendário, lentamente. Os dias passam. Vêm as noites... Ah!, as noites são mais dolorosas, envolvem-me com o seu silêncio escuro, precipitam-se em melancolia dentro de mim, reavivam as dores... Nas noites o meu choro não dorme; passeia-se nas minhas faces, infiltra-se na recordação dos momentos que não se repetirão. Já não posso sentir-te e isso dói... Já não posso abraçar-te e isso magoa, alastra-se em dores múltiplas pelo corpo todo. Viciaste-me de ti de tal forma que a ressaca de não te ter torna-se insuportável, é impossível parar a corrente de chagas que se abrem a cada segundo que a tua ausência se materializa em mim, em cada momento em que a tua falta vai latejando no meu consciente. Resta a esperança que o tempo seja um comboio que te leve para cada vez mais longe, que te afaste da estação onde eu fiquei parado, acenando-te um lenço molhado, fitando esse comboio a desvanecer-se no meu futuro. Não voltarás dessa viagem. Tu não voltas!...
Sinto dores que não sabia que existiam, aprendi a medir o tamanho da tristeza e compará-la com o tamanho da solidão. Sei de cor a área que cada uma ocupa em mim... É tão cruel essa geometria!...
Tenho vontade de perder todas as vontades, de sumir para a eternidade, de desaparecer para sempre... sobretudo desta realidade. O meu cérebro enche-se das músicas que partilhámos; recordas-te?: - "When I need you, I just close my eyes and I'm with you." - Se fosse assim tão simples... se bastasse fechar os olhos para que te materializasses... se bastasse levantar as mãos para te tocar...
Porém, os nossos breves encontros foram sempre tristes, assombrados pelas nossas vidas separadas, pelos nossos destinos desencontrados, continuamente presos nessa consciência... mas reproduzi-los-ia todos os dias até que estes se esgotassem. Vale mais um encontro triste do que não ter nenhum. A nossa tristeza mútua atraía os nossos abraços, pedia mimos um ao outro. E era a mim que tu abraçavas enquanto pensavas no outro; eu tinha-te...
Custa tanto esquecer-te.
Christian
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poeta naïf
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quarta-feira, fevereiro 27, 2008
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Deixa-me sofrer sossegado,
Não voltes p’ra mim teu olhar,
Deixa-me morrer descansado
Quero sozinho ficar.
Já não há sinos tocando,
Primaveras a desabrochar,
Já não há campos verdejando
Nem sementes para plantar.
Saio de ti sem destino
Rumando por vaguear,
Vou procurar um caminho
Que me leve deste lugar.
Gritas e choras mentiras,
Pedes-me para eu ficar
Dás-me a saudade que tiras,
Onde eu a fui enterrar.
Deixa-me sair daqui,
Debaixo da tua influência,
Deixa-me nalguma estrada
Pintada com a tua ausência,
Larga-me nalgum baldio,
Que não saibas a direcção,
Larga-me num sítio vazio,
Onde não haja coração.
Quero ser livre sem sonhos,
Quero não mais querer,
Gastar todos os meus dias
Tentando-te esquecer.
Sem ver o teu pôr-do-sol,
Quero beber noutra fonte,
Esconder-me noutro monte,
Rumar ao desconhecido,
Sentir que tudo mudou,
Deixar de me sentir vencido
Por quem nunca me amou.
Quero viver e morrer,
Rir e chorar de prazer,
Fingir que nunca exististe;
Quero novas ilusões,
Preencher com outras paixões
Os bocados de mim que partiste.
Deixa morrer sossegada
A paixão que rejeitaste,
Dá-lhe espaço, dá-lhe ar,
Não a prendas para nada,
Deixa-a vogar à deriva,
Perder-se nesse oceano
De lágrimas cheias de sal,
Ou então ter outro engano,
Padecer do mesmo mal
Em alguém que a queira viva.
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quarta-feira, fevereiro 27, 2008
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terça-feira, fevereiro 26, 2008
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segunda-feira, fevereiro 25, 2008
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Paixão é um mar que nos invade,
Que alaga todo o espaço interior,
Trovoada que desperta a madrugada,
Relâmpago que fulmina o alvor.
É tempestade que perturba a calma,
Frémito que nos percorre totalmente,
Terramoto que nos sacode a alma,
Loucura que se espalha pela mente.
É um sentir que vem de enxurrada,
Como cavalos correndo em tropel,
Excitação permanente e desenfreada,
É viver num permanente carrossel.
Paixão é um barco à deriva,
Permanente conquistar o Bojador,
É jangada solta em maré-viva,
Ondas que rebentam com fragor.
É um sorriso quente ao acordar,
Trémulos desejos descontrolados,
É um perder-se e nunca se encontrar,
Em trilhos de aventura não marcados.
É necessidade nunca saciada,
Riso e choro em perpétuo vaivém,
Dar-se recebendo quase nada,
Um possuir egoísta de alguém.
É semente estéril em terra árida,
Tentando a todo o custo germinar,
Beijo plantado em boca ávida,
Sentir que não se pode cultivar.
Paixão é um olhar embevecido
No rosto cintilante de outro ser,
Viver permanentemente esquecido,
Levar com um feitiço sem saber.
É um sorriso lento ao acordar,
Lânguido despertar no amanhecer,
Brincar com nuvens, no céu pairar,
Um pôr-do-sol a dois ao entardecer.
É um latir pedindo-nos carinho,
Colo que aquece e nos conforta,
Abraço que se dá e tão mansinho,
Que o resto para nós já pouco importa.
Christian de La Salette
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sexta-feira, fevereiro 22, 2008
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Abri a janela à lua para que se deitasse ao pé de ti na minha cama vazia; esperei que adormecesse para me perder na contemplação imaginada desse quadro tão belo e sereno que tu formavas com ela. Uma lua sossegada dormindo a teu lado, ocupando em minha cama o espaço que era meu! Queria que as minhas madrugadas fossem feitas dessa monotonia pacífica, que o meu acordar fosse essa doce insónia de te ver partilhar o leito com o luar, ou simplesmente poder ver-te adormecida, tranquila, como se nada pudesse alguma vez perturbar o limbo em que vives enquanto dormes. Queria mergulhar as minhas lágrimas na tua alma, escondê-las dos olhos para que eles não as mostrassem ao mundo, misturá-las nos teus sonhos prazenteiros, ocultá-las no teu sorriso descontente, nessa tua despreocupada melancolia. Queria soltar quimeras no céu estrelado que nos espreita fora da janela do nosso quarto, deixá-las vogar na infinitude, partilhar segredos com os astros, aqueles que tenho vergonha de mostrar ao meu conhecimento, que receio descobri-los à minha realidade.
O vazio enrugado do espaço ao teu lado, - (ao lado do lado onde não estás) -, lembra-me que o meu corpo já lhe pertenceu, e esse vazio entranha-se nele, espelha-se em mim! Já nada me aquece!
Interrogo-me se esta penumbra que me envolve esta noite será a mesma em que se tornou a minha existência de todos os dias, se esse vazio ocupa todos os espaços que já me pertenceram. Interrogo-me se valerá a pena.
Saber-te dormindo ausente de mim, não partilhar esse teu sono é uma metáfora do que me espera até ao final. Sinto que só posso partilhar breves espaços na tua vida sem nunca partilhar a tua vida inteiramente. Vivo apenas com uma essência que se emana de ti, apenas um aroma da tua parte física que não me pertence. Desespero por saber que será sempre assim.
Valerá a pena?
Valerá a pena inventar-te estas palavras, permitir que elas se insinuem em ti, provocando-te lágrimas, provocando-te tristeza, contagiando-te as minhas mágoas?
Desespero porque nem promessas te posso dar, pois só te posso prometer o impossível ou a inutilidade dos meus dias futuros nascidos neste momento plangente em que me encontro. Estamos tão presos às coisas físicas que tudo o que as possa pôr em risco se transforma em sofrimento.
Serias minha se fosse rico? Se pudesse dar-te as coisas físicas que te fazem falta? Se pudesse aliviar os teus fardos financeiros, satisfazer todos os teus caprichos? Serias minha se eu fosse livre ainda que pobre e sem dinheiro?
Serás minha alguma vez?
Valerá a pena continuar assim os dias? Valerá a pena ocultar-me naquele que não sou, no outro que existe utilizando o meu nome, que se mistura no mesmo mundo de gente que me ignora, viver nesse mundo solitário que não pára, que não me deixa olhá-lo nos olhos e tentar descortinar o que guarda para mim? Valerá a pena sofrer?
Sinto-me um acróstico que só existe na margem dos dias, uma hipérbole da amargura, um repetir pleonástico dos dias, uma personificação do infortúnio. Sinto-me uma figura de estilo utilizada na linguagem da vida, uma interjeição dos míseros dias sofredores.
Desespero por ser assim e não conseguir ser de outro modo.
Somam-se os dias assim; uns mais os outros. É um juntar que diminui, que vai descontando nos que estão para vir, que tira tempo e aumenta a dor da tua ausência neles. Passam-se os dias mas não desaparece a mágoa, nunca passa... Nascem novas ilusões em cada instante que morre. Florescem novos espinhos a todas as horas.
Fecho a janela para que nada perturbe o teu sono sossegado. A Lua já se foi embora...
Christian de La Salette
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quarta-feira, fevereiro 20, 2008
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Levanta-te ó indigente
Vem assistir à parada,
Dos que vão para o emprego
Enquanto tu fazes nada.
Venham também os drogados
Homófilos e os chanfrados,
Arrumem as viaturas
Dessas pobres criaturas
Que marcham para o trabalho,
E se algum se armar em esperto,
Quando já não estiver perto,
Um risco na chaparia
E já ganharam o dia.
Tratem todos por doutores,
Engenheiros, professores,
Aliviem-lhes as dores
De andarem com trocados,
Pois esse tal vil metal
A eles faz muito mal.
Porque há-de tal gentinha
Ter direito a um lugar
Para o carro estacionar
Só por ele estar vago?
Tem de dar contribuição
A quem lhe dá indicação
Mesmo que o lugar seja pago.
Não se importem com comida,
Pois se a fome apertar
Há sempre quem vos convida
Para o Banco Alimentar.
Porque hão-de ter trabalho,
Gastar no pão e no talho,
Se o vinho é mais barato
E o cigarro um bom prato?
Há coisa melhor na vida
Que fumar ganzas maradas,
Injectar doses danadas
Como se fossem comida?
Cata sempre a moedinha
Para o pão e p’ró sumito,
De certeza que não sabem
Que é p’ró cigarro e copito!
Se o dinheiro não chega,
Tem muita calma e sossega,
Auto-rádio apetrechado
Fanado num enlatado,
Há-de render alguns cobres
Vendido àqueles pobres,
Que tiveram azar um dia
De parar a lataria
No parque de estacionamento,
Vosso local de passeio,
Ou até divertimento.
Nada de trabalhar,
Tende muita paciência,
Que p’ra carros estacionar
É preciso uma licença.
Christian de La Salette
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terça-feira, fevereiro 19, 2008
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Vem comigo passear de mãos dadas à beira-mar, calcar o entardecer com os nossos passos numa calma caminhada à beira de água, deixar que o dia morra debaixo dos nossos pés, enquanto as ondas moribundas os vão mordiscando com beijos espumados de desejo. Vem sentar-te nas dunas a ver o sol deitar-se no mar enquanto os nossos dedos penteiam a areia entrelaçados, fazer castelos e desenhar corações na areia molhada, escrever poemas de amor repetidamente apagados e novamente reescritos. Vem comigo apanhar conchas e pedrinhas brilhantes, procurar seixos redondos como contas de um colar que o mar pretende oferecer-nos. Anda ouvir o riso das gaivotas voando em bando por sobre as nossas cabeças, acenar para os veleiros que passam ao largo e procurar mensagens de amor nas garrafas que deram à costa. Anda ouvir o mar bater nos nossos corações descompassados, como se fossem búzios colados ao ouvido, ouvir o marulhar dos nossos desejos. Mete-te comigo num dos barcos ancorados e naveguemos mar adentro perdendo-nos no horizonte, esquecidos da praia de onde partimos, surdos aos gritos das pessoas que nos acenam para voltarmos.
Vem saborear o sal na minha boca e o cheiro a maresia dos nossos corpos abraçados pela pele, o contacto íntimo da solidão esvaída entre nós. Vem entregar-te a esse mar que vês nos meus olhos, mergulhar nas minhas águas revoltas, sentir brisas nos cabelos que se espalham como ondas na areia.
Vem atirar redes de sonhos ao mar, pescar a felicidade com o olhar que se perde no movimento rítmico das ondas, sentir a calma apoderar-se de nós, adormecer no peito da praia, encostar a cabeça na almofada das tentações. Deixa que o dia nos acorde assim. Corpos molhados por desejos incontrolados, desejos de preia-mar, desejos que há muito andavam perdidos na faina da vida de todos os dias.
Vem descobrir uma praia só para nós como outros inventam músicas só para eles; uma praia que nos faça lembrar sorrisos nas caras dos filhos que perfilhamos juntos, onde a inocência se encontra com a verdade e juntos continuam o passeio que tivermos interrompido para depois o devolverem sempre que lá voltarmos.
Vem repetir esse passeio até ao fim da nossa vida, ainda que tenhamos que inventá-lo todos os dias.
Christian de La Salette
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quinta-feira, fevereiro 14, 2008
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Deixa as tuas mágoas sentarem-se a meu lado,
Repousa no meu regaço as tuas dores,
Aninha no meu colo o teu fado
Desabafa em mim os teus temores.
Deixa-me ser meirinho confidente,
Um ombro amigo p’ra poderes chorar,
O teu coração se alegre de contente
Cada vez que ele me encontrar.
Deixa-me ser teu rio, brandas margens,
Murmúrios de água inquieta a sussurrar,
Vento que vem de outras paragens,
Roçando a tua face a afagar.
Deixa-me ser seixo pequenino,
Pedra que atiras para um lago,
Fazendo um pequeno remoinho,
Sugando-te as tristezas de um só trago.
Deixa-me ser serena realidade,
Cada vez que a tua vida se turvar,
Pequeno momento de amor e liberdade,
Ancoradouro das lágrimas do teu mar.
Faz de mim privado contentor,
De problemas, medos, incertezas,
Coloca em mim toda a tua dor,
Despeja-me todas as tuas impurezas.
Quero ser sol que no Inverno te aqueça,
Amena Primavera a começar,
Uma nova vida que não padeça,
Dos defeitos da outra que acabar.
Molha as minhas mãos com o orvalho,
Que dos teus olhos teima em sair,
Que a esperança encontre em mim atalho
Se ao teu encontro ela quiser vir.
Que nada te perturbe ou aflija,
Sempre que quiseres estar comigo,
Serei em teu caminho torre rija,
E a todas as aflições darei castigo.
Serei implacável, mesmo duro,
Nada me demoverá dos meus intentos,
Defender-te-ei como um muro,
Barreira instransponível de unguentos.
Vem ter comigo sarar as tuas feridas,
Limpar-te de toda a sujidade,
Só te darei/direi palavras queridas,
Esconderei de ti a má verdade.
Senta-te tu também, aqui ao lado,
Guardei este lugar à tua espera,
Tenho-o, há tanto tempo, p’ra ti guardado,
Que quase não sabia p’ra quem era.
Christian de la Salette
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segunda-feira, fevereiro 11, 2008
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Choras?!... Libertas as tuas dores em lágrimas que correm sem destino na tua face, perdendo-se esquecidas nas tarefas de todos os dias.
Olhaste para trás de olhos fechados e viste-te menina, cheia de sonhos que hoje estão inalcançados. Viste a tua sombra passar diante de ti e com ela levar as tuas ilusões. Não fossem os teus filhos e sentir-te-ias vazia, corpo animado sem vontade.
Levantas-te todos os dias e juntas os pedaços que os homens espalharam de ti, como se fosses boneca de trapos, marioneta comandada no seu desejo, restando aqui e ali uma leve recordação de um beijo e a mágoa das promessas não cumpridas. Esperam-te novas ilusões no teu caderno diário e tu sabe-lo. Sentes os dias perdidos em busca de uma felicidade que nunca surge e interrogas-te: Será sempre assim?
Choras!
Encostas a cara na almofada dos dias em que não dormes para que não vejam o rio de tristeza que se escapa dos teus olhos. Choro de raiva desiludida por descobrires que afinal os homens são todos iguais. Pedreiros... Pedreiros de gravata e de falinhas mansas, hienas disputando a carniça dos outros, porque é como carniça que te sentes.
Ah, quanto não davas por um momento de compreensão mundana?! Quanto não davas por alguém que olhasse para ti e reparasse na criança aninhada que em ti vive e soubesse falar-lhe de segurança, de sonhos realizáveis, de príncipes reais que surgem na vida real. De alguém que te libertasse das contas de todos os dias e te permitisse voar para onde te levam os desejos, para longe!... Principalmente para longe... Até onde não houvesse nada que te magoasse, onde todos fossem transparentes, homens, mulheres, amigos ou só conhecidos. Um sítio diferente deste em que todos vivem dissimulados, lobos em pele de cordeiros, sapos...
Choras. Mesmo que não te veja as lágrimas sinto-as de cada vez que os teus olhos se perdem no horizonte do tempo já passado, esse tempo que te trouxe a este presente pesado. Um passado de fardos e um presente de desenganos. Um presente que não é presente mas antes castigo. Punição que não mereces por pecados que nunca cometeste, ou será pecado sonhar em ser feliz?
Para onde quer que olhes os teus olhos marejam-se de lágrimas e sofres em silêncio, às vezes com fome... Uma fome física de coisas a que tens direito e a realidade te rouba em todos os momentos. Sentes vontade de vomitar as tuas mágoas no rosto do mundo que não tem rosto, de gritar: eu ainda estou viva! Mas só te ouve a escória de homens animais, que se babam de desejo e te atiram palavras despidas, nuas de pudor.
Haverá esperança?!
Limpas as lágrimas como fazes todos os dias desde há tanto tempo que já te esqueceste quando começou.
Levantas-te. Hoje é mais um dia!
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sexta-feira, fevereiro 08, 2008
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C’est mauvais ce jour là
Quand je t’ai connu,
Une amie j’ai gaigné
Mais je me suis perdu.
Je vivais innocent
Tous les jours, toutes les nuits
Pas de peur dans mon coeur,
Sans désir dans mon lit.
Et toi, qu’as-tu fait ?
Tu me dis: rien du tout !
Mademoiselle c’est pas vrai
Dans ma vie tu es venue.
Ne peux pas t’oublier,
Même dans mon sommeil
Tu es ma rêvasserie
Mon étoile, mon soleil.
Je me sens toujours fou,
J’ai perdu ma sagesse,
Tu m’as changé, mais surtout
Me donnes joie et tristesse.
Tiens pieté de moi
Je suis un pauvre pitoyable,
Je n’ai plus d’espace en ma vie,
Tu me fais un incapable.
Je ne veux pas t’aimer,
Je ne veux pas te désirer,
Seulement ici rester,
Où je ne te peux pas trouver.
Mais sans toi ne peux pas vivre,
Avec toi c’est impossible,
Je ne suis plus un homme libre,
Ma vie est devenue horrible.
Christian de la Salette
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terça-feira, fevereiro 05, 2008
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quinta-feira, janeiro 31, 2008
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Meu coração
Sem direcção
Voando só por voar
Sem saber onde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas
Que hoje eu descobri
No seu olhar
As estrelas vão-me guiar
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vi
Dentro do meu coração
Hoje eu sei
Eu te amei
No vento de um temporal
Mas fui mais
Muito além
Do tempo do vendaval
Dos desejos de um beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração.
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração
Poema de Ivete Sangalo
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quinta-feira, outubro 18, 2007
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quinta-feira, setembro 13, 2007
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sexta-feira, agosto 31, 2007
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Entraste dentro de mim abruptamente,
Invadiste o meu espaço intimamente,
Ocupaste-me todo o corpo, até a mente,
Usucapiaste-me por usufruto permanente.
Apropriaste-me como se fosse coisa tua,
Tiraste-me toda a minha propriedade,
Já nada de meu tenho, roubaste-me a lua,
E até me tiraste a liberdade.
Acompanhas-me para todos os lugares,
Deitas-te comigo, todos os dias, no meu leito,
Entras nos meus sonhos sem sonhares,
Tens sobre mim domínio perfeito.
Sou um fantoche que colocas no teu dedo,
Marioneta que se move ao teu desejo,
Condenaste o meu arbítrio ao degredo,
À minha vontade deste ordem de despejo.
Sou-te assim como um boneco de crianças,
A quem arrancas braços, cabeça, tronco e pernas,
Despes-me e vestes-me e disso não te cansas,
Bates-me de má e dás carícias ternas.
És tão dona de mim que já não sei,
Se é verdadeira a minha existência,
Ou se apenas vivo num mundo que inventei,
Se apenas existo na tua consciência.
Duvido-me de mim, serei alguém?
Terei corpo palpável, serei presente?
Ou sou mais um no meio de ninguém,
Corpo que se move por entre um mar de gente?
És tu quem conduz o meu destino,
És tu quem me dita o caminho,
És tu que me fazes sentir menino,
Quando te vais sem me deixar sozinho.
Usucapiaste-me por usufruto permanente,
Entraste dentro de mim abruptamente,
Invadiste o meu espaço intimamente,
Ocupaste-me todo o corpo, até a mente.
Christian de La Sallette
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quinta-feira, junho 21, 2007
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Vem madrugada de mansas vilanias,
Vender o teu poder ao meu vencido,
P’ra lá de tudo vem que estou perdido,
Traz-me o fulgor da vitória de outros dias.
Faz de mim funâmbulo artista,
Envolto em plúmbea fulgurância,
Que na tua corda inventarei distância,
Da vida plangente de fadista.
Oh! Vem qual fada ou primavera,
Tirar-me do sonambúlico degredo,
Roubar-me ao papão e o meu medo,
Pois quando fui criança não o era!
Vem!, por quanto a tua vinda é desejada,
Secar o pranto azul deste oceano,
Onde erro dia a dia, ano após ano,
Sabendo que no fim tudo foi nada!
Christian de la Salette
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quarta-feira, junho 20, 2007
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quinta-feira, junho 14, 2007
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Abre as portas do teu mundo,
As tuas janelas de par em par,
Nem que seja por um segundo
Dá-me permissão para entrar.
Abre-me o teu pensamento,
Dá-me espaço no teu olhar,
Deixa-me por um momento
Os teus sonhos povoar.
Abre um sorriso nos lábios,
Cada vez que no teu lembrar,
Esqueces conselhos sábios,
És tentada a pecar.
Coloca-me nas tuas estantes,
Como se fosse um troféu,
Deixa-me pensar por instantes
Que além de mim só o céu.
Deixa-me entrar em alegria,
E aninhar-me ao teu colo,
Nem que seja por um dia
Quero ser creme do teu bolo.
Abre-me a tua vida,
Escancara o coração,
Recebe-me esbaforida,
Entrega-me a tua paixão.
Tudo o que alcance o olhar,
No teu horizonte visual
Te peça para eu entrar
No teu espaço carnal.
Abre-te de corpo e alma,
Entrega-te a mim totalmente,
Encontra em mim a calma
Da tempestade iminente.
Não te feches de repente,
Abre-te sem vacilar,
Nem que seja eternamente
Dá-me permissão de te amar.
Christian de La Sallette
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quinta-feira, junho 14, 2007
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quinta-feira, junho 14, 2007
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